sexta-feira, 15 de maio de 2009

INEXPRESSIVO



À portas fechadas já estavam se reunindo alguns dos principais cofres da cidade. Cara a cara com eles alguns políticos, na sua maioria, apadrinhados por estes mesmos senhores endinheirados. Eu sabia que estava atrasado e nem por isso apertava o passo. Caminhava quase que como quem caminha para a própria forca. Entrei tentando não chamar atenção, mas o leve solavanco do trinco da porta desviou os olhares em minha direção.


Rapidamente trato de reconhecer as figuras abancadas por toda a sala. Raposas velhas, lobos em pele de cordeiro, um ou outro urubu, cobra, papagaio. Os evangélicos não comentam muito. O judeu, que parece ter sido tirado de um filme de época, é figura menos conhecida da fauna e está bastante agitado.


Cumprimento um vereador pelo caminho, outro e depois outro. Cumprimento um jornalista e rapidamente outro. Sentei sem notar a figura mais ao fundo que passa anônimo para a maioria dos presentes, sem que eu o notasse ele se levanta e vai até lá falar comigo, é um representante da Maçonaria.


O clima é de conspiração: Maçonaria, Evangélicos, Católicos, Judeus, Comunistas, Políticos e nos cantos, a imprensa, colhendo migalhas. Os que argumentam discutem apenas pela prosopopéia de quem quer controlar o mundo, os que se omitem apenas temem represálias.


Saio dali com uma única convicção: Quem pode mais chora menos.
Opa! São duas convicções! A segunda é: Nunca proponha a um judeu que ele ganhe menos, ele pode ferver.
Saio dali apressado, mas não sem passar por uma dezena de apertos de mão.


Dali, direto para um encontro com líderes religiosos.

Aquele templo eu já havia freqüentado quando era criança, não como fiel, mas era obrigado a acompanhar uma babá que orava até mesmo em horário de serviço. Enquanto caminho por um corredor, onde todas as portas possuem câmeras de segurança, tento encontrar alguma coisa que me remeta a minha infância - Mas nada. A porta pela qual sou convidado a entrar não possui trinco, e só pode ser aberta por controle-remoto. “O reino de Deus continua em reformas” penso rápido, mas sou interrompido por mais uma rodada de apertos de mãos.


Sorrisos largos. Humor contido. Educação à toda prova. Mas sinto certa resistência às minhas tatuagens. O tema da reunião agora segue pelos discursos da reunião anterior. Os personagens simplesmente exercem seu papel - nem marxistas, nem chaplinianos – nem de direita, nem de esquerda – nem fedem, nem cheiram – nem nada. Depois de muita conversa alguém deixa escapar que até o plano divino possui interesses nos cofres públicos e privados. E aquela reunião também já havia se alongado por demais. O controle remoto abre a porta, a impressão que fica não é a melhor.

Terceira reunião do dia. A sala, postada ao lado do banheiro, também já estava de portas fechadas quando cheguei, mas ali o protocolo me conferia o direito de entrar sem bater. Sentado do outro lado do granito o homem que havia deflagrado a guerra entre Deus, Judeus, Maçons, Ricaços e Proto-comunistas.

Ri muito, pelo menos por dentro, recapitulando a história que ele deveria saber amargamente, porque eu não dei os conselhos que dei gratuitamente, eu cobrei, e conselho quando é pago, precisa ser muito bom.

Não dei conta de terminar essa reunião sem demonstrar nervosismo com o celular que não parava de tocar. Precisava com urgência mudar de foco, de ares, e de personagens. Ela vamos nós.


Prédio da prefeitura, expediente à muito encerrado, adivinhe só... Portas fechadas! E lá vamos nós para outra reunião, mas não sem antes uma boa rodada de apertos de mãos - o eterno almofadinha, o candidato, o presidente, o ex-candidato, o ex-presidente, o ex-vereador, e mais umas figuras - passava das 18 h e a maioria de nós entrou no prédio que há muito já estava curtindo o fim de semana


“Me explica o INPC que eu quero ver o que deu no IGP-Di. Mudando de assunto o Idebe; E o Dieese, achou ai?” Confesso que eu atropelei um pouco essa reunião por gosto. Não pelo gosto de atrapalhar, mas por manter todos os assuntos sobre um aparente domínio. E o celular mais uma vez denuncia que o meu tempo era escasso.

Saio da reunião sem poder me impor e sem ter certeza de qual rumo esse grupo irá tomar nas próximas 24 horas. Ou seja, em plenos sábado, teremos novas reuniões.

Sexta-feira, 19horas. Reunião de pais e professores.
A reunião é de pais, mas curiosamente eu sou o único pai a estar ali às 19 horas. Algumas mães estão em uma sala ao lado, de porta aberta, outras pelo corredor, mas ironicamente, pai, só tem um.


Meu cérebro da voltas, quase convulsivo, boa parte tentando enxergar algum lucro nessa loucura toda, outra parte tentando fechar articulações boas para que a 3ª reunião colhesse os frutos da 2ª e pudesse melhorar o panorama geral da 3ª isso tudo, dando espaço para as decisões da 4ª, matemática meio orgânica essa. Acordos políticos, jeitinhos, favores, mas volto a reunião entre pais e professores.


Porta aberta, a diretora passa com passos rápidos, volta, uma professora volta, e vai, chamam a mãe que está sentada em um banco (19:10h), eu permaneço de pé, no meio do corredor, em frente a sala vazia, ao lado da sala onde a diretora e as professoras conduzem mais e mais pessoas.


(19:30h) Começam uma reunião, e eu não fui convidado a participar, mesmo tendo chego no horário, mesmo sendo pai, mesmo pagando as mensalidades em dia...


Me ofendi! Postei-me na soleira e fiquei com cara de pouquíssimos amigos. Chega outro pai atrasado, que deve ter se atrasado também para a distribuição de educação, entrou porta a dentro como um delegado do Dops entraria numa reunião de subversivos. Sorte da porta em ter tido a decência de permanecer aberta, fechada estivesse chutada teria sido.


Parece um tanto ficcional, mas após ter sido recebido por políticos, magnatas, mafiosos, religiosos - na tentativa de fazer lobby para tentar mudar o sentido da rotação da terra, ou outro assunto sem sentido - eu esbarrei na carismática figura loira, fora de forma, de pouco mais de 1,50m, que, de portas abertas, não me convidou para entrar, e simplesmente me ignorou como se eu não tivesse nada mais a somar.

Bizarro, irônico, mas fazer o que?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

BOOMBOX!

Modéstia a parte, mas confesso que hoje sinto que sou uma pessoa melhor. Não que eu tenha mudado radicalmente, mas acho que agreguei certa calma e complacência ao meu radicalismo.



Você já assistiu aquela cena onde o perito vai tentar desarmar uma bomba, dentro de um aparato, com roupas especiais e de repente, "Booom!" A bomba explode na cara dele???, mesmo sem danos maiores, houve falha, houve problemas...

Por um instante eu senti isso mesmo. A bomba explodiu. Fiquei atordoado, senti o deslocamento de ar jogar meu corpo para trás. Senti os ouvidos surdos, a terra fugindo aos pés, revivi sorrisos, lágrimas, alegrias, tristezas, tudo em milésimos de segundo.

Isso foi sim, em menos de um segundo, entre o fim de uma inspirada e uma batida cardíaca; mas passei mais de horas pensando em tudo. Tem várias coisas que eu ainda não assimilei, mas o resultado, à curto prazo, é satisfatório. Apesar de tudo, a bomba mesmo explodida não oeferece mais perigo e ninguém está gravemente ferido.

Já não tinha paixão, tão pouco mágoas, e por certo, não havia esperança e nem vontade, muito menos necessidade de explicações, nem perguntas, nem respostas. Existia um ímpeto impar imprudente insistindo na incoerência, ou simplesmente, uma necessidade.

Necessidade de ouvir, de sorrir, de tocar, e de saber que se perdeu muito sim, porém, não existe necessidade latente de se negar tudo de bom que aconteceu e nem de arrastar magoa ou culpa por erro alheio.

Pela primeira vez na vida percebi a diferença entre encerrar um capítulo dando continuidade a uma boa história e, encerrar um livro matando todos os protagonistas.
Conhecimento sincero, fruto de alguma coisa verdadeira que não vem ao caso dar rótulo, mas enfim, prevalece a amizade e o bom senso.

Poderia escrever muito mais a esse respeito, mas a falta de explicação é um conforto, ou como eu sempre digo: A Ignorância é uma benção!

Continuo em lua de mel, aperta o play e deixa rolar, mas tem que ser ao som de Bellrays... Não vou indicar uma música, mas esse cd de 98 é foda. “Vital Gesture Records”

terça-feira, 12 de maio de 2009

Tempo e Espaço!

A melhor banda da cidade,
A garota mais linda da festa,
Os melhores amigos,
Tudo questão de afinidades...

O melhor disco,
O melhor café,
O melhor sofá,
Questão de opinião...

O melhor sexo,
Os melhores beijos,
O melhor abraço.
Questão de momento...

Interessante é fazer o momento
Acontecer em plena segunda
Sem pretensão.

domingo, 10 de maio de 2009

Não pise na grama!


Seja educado.
Não pise na grama,
admire o gramado.
Não pise na grama,
ela custa a nascer.
Não pise na grama,
ela logo se estraga.
Não pise na grama,
eu peço e repito.
Não pise na grama,
é uma ordem, e suplico.
Não pise na grama,
ela não tem culpa.
Não pise na grama,
existem outros caminhos.
Não pise na grama,
ela não te pertence (mais).
Não pise na grama,
por favor, entenda o recado.

Não pise na grama,
Não pise na grama,
Não pise na gram
Não pise na gra
Não pise na gr
Não pise na g

Poeira. Barro. Sujeira.
Limpe os pés antes de entrar!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Enquanto o mundo explode, flores numa camisa no bairro...

©monica lau

Quem foi que disse que vingança é um prato que só se come frio? Aproveite com moderação


Não sou do tipo que fica feliz com a desgraça alheia, mas sou humano, e confesso que tive que rir da sua cara hoje. Peguei o jornal para ver o meu trabalho e dei de cara com a sua besteira...
Canoa furada hein? Eu bem que avisei “é um mundo grande... mas é redondo e da voltas!”
Desculpa, não respondi as suas mensagens porque eu não tenho mais o seu telefone. Nem seu e-mail. Nem nada. Na verdade, não fosse você ter me procurado esses dias eu já teria esquecido tudo, ou quase tudo, porque não me faltaram motivos pra dar risadas hoje.
To até agora com uma cara de “e agora José?”... bateu com a cara no muro, e foi feio, mas eu não senti nem constrangimento, to escrevendo mais um pouco pra comemorar.

=> Mudando de Assuntos querido diário. Sexta-feira. Apesar do frio e da chuva nojenta eu vou de INGRATIDÃO – SAMBA DE VELA.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Plano D – RevoluSom

Sem métrica nenhuma, essa vai a seco.

Parece que o mundo todo só funciona bem depois das crises. A Influenza Suína desviou os olhares da ruína econômica mundial... Enquanto isso, 3 da manhã na Aduana Argentina e os Gendarmes usam “máscaras de gás”. Na aduana paraguaia, amanhece domingo, e ninguém trabalha... Esse é o meu mundo.
Eu sei que eu já escrevi alguma coisa parecida com isso ano passado, “a dignidade de um terremoto” não é muito diferente, mas estou pensando num nível bem mais particular agora.

“Dê um rolê, e não se assuste pessoa, seu lhe disser que a vida é boa!”

Novos sons, novos horizontes, ou um jeito diferente de olhar a paisagem. Muita música nova. Muitas idéias recicladas.
Decidi começar um projeto muito diferente. E estou anotando aqui na agendinha virtual pra ter certeza de não esquecer do dia de hoje. É sempre bom ter um plano “B”, porque tudo pode dar errado de uma hora pra outra, sendo assim, eu já estou fugindo pro Plano “D”.

Eu continuo firme na pegada, mas é sempre bom dar uma variada – Fiquei até com ciúmes da musica que eu to ouvindo agora, e não vou deixar de dica pra ninguém. Quer se divertir? Belleruche (compre, baixe, copie ou empreste), tem nome de vinho fino, coisa de gente grande. Mocinha cantando Jazz? Já curto hein...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Um sentimento chamado “Esperanza”!
à Chris Militelli em resposta e agradecimento pelo momento de reflexão,


Juntos cantamos pela paz.
Juntos cantamos contra o sistema.
Juntos cantamos em protestos.
Juntos cantamos por termos esperança;

Na contramão da história, nunca acertamos o compasso do mundo!
O que queríamos ver mudando permanece cruelmente igual
enquanto os velhos valores pelos quais nos encontramos,
esses parecem ter se dispersado como voláteis.

Nunca havia tirado mais que uns minutos para entender essa máquina.
Eu sabia que, sem perceber, eu havia me tornado uma engrenagem.
Eu sou uma peça de uma máquina montada para ajudar as pessoas à escapar de uma máquina.
Porque àquela outra máquina transforma as pessoas em peças, engrenagens...

Dualidade!
Tal qual a luta entre o bem e o mal.
O certo e o errado.
Mas não. Não é essa a resposta.

Em si, nunca fomos bons de respostas!
Sabemos questionar – acusamos – criticamos;
Mas ao contrário das escolas, nunca tivemos respostas prontas,
apenas indicamos os caminhos....

Nessa linha esse texto completa 24 horas.
Nessa linha esse texto completa 48 horas.
Escutei vários discos,
Assisti vídeos antigos,
Olhei fotos de todas as épocas.

Perplexo. Não tenho uma resposta concreta, apenas uma fé.
Agradeço a todos os que vieram antes de mim,
Presto homenagem aos que tentaram,
Fico feliz pelos que compartilharam, mesmo por pouco tempo...

Não é pela música, mas não seria nada sem ela.
Não é pela dança, mas ela é indispensável.
Não são os sorrisos, somos ríspidos

Tem haver com paradigma.
Abordagem sistemática da realidade.
Tem haver com sentimentos
Família, moral, atitude, compromisso
e sobretudo, a amizade.

Apesar de tudo ter evoluído e se transformado,
O estopim continua sendo o mesmo!
Mas e você? De onde tira forças pra continuar?
Este post combina com: FUZILADOS DA CSN - GAROTOS PODRES, Pois o Futuro vos pertence!